O Fórum Social Europeu realizou uma conferência a 16 e 17 novembro que procurou explorar formas de proteger os direitos dos trabalhadores na era a inteligência artificial. Como garantir que, mesmo com a inteligência artificial, o mundo do trabalho permaneça inclusivo, justo e transparente? Esta foi uma das questões em debate.
Segundo o economista David Autor, a inteligência artificial tanto pode reduzir desigualdades e melhorar a vida dos trabalhadores quanto desencadear uma nova onda acentuada de substituição de empregos, exacerbando disparidades de rendimentos. O especialista entende que o fator determinante reside na forma como a inteligência artificial é projetada desde início.
Regulação da inteligência artificial
O fórum ocorreu num contexto em que a União Europeia procura ativamente liderar a regulamentação de tecnologias e aplicações de inteligência artificial. Muitos líderes na comunidade de inteligência artificial pedem legislação abrangente para enfrentar esses desafios, incluindo padrões éticos e regras claras sobre o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.
“A Europa, junto com parceiros, deve liderar o caminho para um novo quadro global para a inteligência artificial. A nossa prioridade número um é garantir que a inteligência artificial se desenvolva de maneira centrada no ser humano, transparente e responsável. Nosso AI Act já é um modelo para o mundo inteiro,” disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Em 2021, a Comissão Europeia propôs o AI Act, o primeiro quadro regulatório de IA do mundo. Até junho de 2023, o Parlamento Europeu adotou sua posição sobre o AI Act, defendendo sistemas de inteligência artificial seguros, transparentes, rastreáveis, não discriminatórios e ambientalmente amigáveis.
Consulte o EU Artificial Intelligence Act.
A publicação digital Ceplis Telegram dá destaque a este tema na sua edição nº18 de 2023.
Indústria farmacêutica apreensiva
Nesta edição também é analisada uma proposta da União Europeia que pode acelerar o declínio na inovação farmacêutica, advogam os representantes do setor.
A Reuters publicou em novembro um artigo discutindo como uma importante revisão regulamentar farmacêutica, proposta pela Comissão Europeia em abril, poderia potencialmente reduzir para uma quota de 21% na investigação e desenvolvimento global para a Europa até 2040, uma redução de um terço. Isso resultaria numa perda estimada de 2 mil milhões de euros por ano em investimento.
A Federação Europeia das Indústrias Farmacêuticas e Associações (EFPIA) afirma que a Comissão não realizou uma avaliação do impacto na competitividade e, se as novas regras se tornarem lei, acelerariam a tendência negativa de inovação na UE, afetando principalmente as pequenas e médias empresas.
Em resposta, um porta-voz da Comissão Europeia contrapôs que “quaisquer alterações ao nosso sistema de incentivos afetariam igualmente empresas sediadas na UE e empresas estrangeiras que trazem medicamentos para a UE e, portanto, não colocariam as empresas da UE em desvantagem.”
Consulte gratuitamente este e outros artigos no Ceplis Telegram (pdf).
